Hoje:terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
 
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Cidade dos Velhinhos
Rua Jardim Tamoio, 537-A
Itaquera - São Paulo - SP
Cep: 08255-010

Tel.: (11) 2521-6227
 
 
 
Uma placa de bronze datada de 1966, fixada na entrada do pavilhão São Sérgio da Cidade dos Velhinhos, revela um capítulo pouco divulgado da história de Itaquera: a presença de refugiados russos trazidos pelo Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas - ONU. Estamos no conjunto habitacional José Bonifácio, casa da classe operária paulistana da Zona Leste, formado basicamente por migrantes nordestinos e mineiros. Neste reduto, onde as culturas do Brasil se misturam, funciona na prática desde 1964, a charmosa Cidade dos Velhinhos Santa Luiza de Marilac. Ela está nas fileiras das principais entidades voltada ao trabalho com idosos em São Paulo.

 

Chegou a este ponto graças à dedicação da cearense Maria Leda Bessa Nogueira, conhecida por irmã Maria Luiza, infelizmente já falecida. Baixinha e ligeira, a religiosa não mediu esforços durante o tempo em que esteve à frente da entidade para fazer dela a mais conceituada, implantando inovações importantes na área, além da ajuda de políticos e empresários do mais alto gabarito. A tranqüila Cidade dos Velhinhos nasceu em 1961, na rua José Bonifácio, pelas mãos da Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, a qual pertencia a Maria Luiza, que chegou pouco tempo depois.

 

O ano não foi escolhido à revelia. Em 1961 comemorou-se o tricentenário do francês São Vicente de Paulo. Na mesma ocasião nasceram as Casas do Velhinhos do Rio de Janeiro e Brasília. O enorme terreno foi um presente do deputado estadual Lino Morgante, homem de posses na região e dono da Refinaria Paulista, segundo a irmã Helena, uma capixaba contemporânea de Maria Luiza, que conhece como poucos a história do local, embora esteja lá só há quatro anos.

 

Moram nos sete prédios do lar da Cidade dos Velhinhos, 89 idosos que não estão desassistidos dos familiares, conforme explica a irmã Bernadete, atual coordenadora da instituição.
 
Atualmente a entidade presta atendimento de fisioterapia aos idosos da casa e do bairro. Só em 2006, segundo levantamentos da entidade, foram atendidas 6.692 pessoas, números significantes para uma população que tem, no bairro, um sistema de saúde pública precário.
 
 
Ame ou deixe-a

 

A Rússia ocupa papel importante no cenário político mundial, mas sua história de lutas e revoluções está longe do conhecimento da maioria das pessoas. Tão longe que, na Cohab José Bonifácio, três pessoas abordadas pela reportagem do NI fizeram pouco caso ao fato de que há 38 anos, viveram por ali cidadãos russos que não aceitaram as ordens impostas pelos mandatários ditadores do País. A responsabilidade pelo translado dos refugiados para o Brasil, foi da Fundação Tolstoy de São Paulo, que ofereceu à Cidade dos Velhinhos Santa Luiza de Marilac, a quantia de US$ 48.000 mil, paga em três vezes, em troca da construção de um abrigo específico para os russos.

 

O contrato lavrado em 26 de abril de 1966, no 4º Registro de Títulos e Documentos, por Albina Frias da Fundação Tolstoy, irmã Maria Luiza e o deputado Lino Morgante, exigia que os refugiados, tivessem "mais de 60 anos, e 75% de sua capacidade total inválida e atestada pelo médico". A primeira leva trouxe para cá 32 refugiados russos. Calcula-se que no total foram mais de 600 que passaram pela Cidade dos Velhinhos, a maioria vindos da Sibéria, principal rota de exílio. O serviço do Alto Comissariado da ONU para refugiados continua ativo no Brasil. Entretanto, o maior contigente enviado para São Paulo é de africanos, que estão na região central de São Paulo e Pinheiros.

 

A Cidade dos Velhinhos Santa Luiza de Marilac ao longo de sua existência sempre teve a ajuda de pessoas ilustres da vida paulistana. Um dos benfeitores era o ex-governador Mário Covas, que fez de tudo para o progresso da entidade. Com a morte do político e da amiga pessoal Maria Luiza, a casa flerta com novos rumos, sob a luz divina da irmã Bernadete Maria da Penha.
 
 
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