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Cidade dos Velhinhos
Rua Jardim Tamoio, 537-A
Itaquera - São Paulo - SP
Cep: 08255-010
Tel.: (11) 2521-6227
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| | | Uma placa de bronze datada
de 1966, fixada na entrada do pavilhão São Sérgio da Cidade dos Velhinhos, revela
um capítulo pouco divulgado da história de Itaquera: a presença de refugiados
russos trazidos pelo Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas - ONU.
Estamos no conjunto habitacional José Bonifácio, casa da classe operária paulistana
da Zona Leste, formado basicamente por migrantes nordestinos e mineiros. Neste
reduto, onde as culturas do Brasil se misturam, funciona na prática desde 1964,
a charmosa Cidade dos Velhinhos Santa Luiza de Marilac. Ela está nas fileiras
das principais entidades voltada ao trabalho com idosos em São Paulo. |
| | Chegou a este ponto
graças à dedicação da cearense Maria Leda Bessa Nogueira, conhecida por irmã Maria
Luiza, infelizmente já falecida. Baixinha e ligeira, a religiosa não mediu esforços
durante o tempo em que esteve à frente da entidade para fazer dela a mais conceituada,
implantando inovações importantes na área, além da ajuda de políticos e empresários
do mais alto gabarito. A tranqüila Cidade dos Velhinhos nasceu em 1961, na rua
José Bonifácio, pelas mãos da Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente
de Paulo, a qual pertencia a Maria Luiza, que chegou pouco tempo depois. |
| | O ano não foi escolhido
à revelia. Em 1961 comemorou-se o tricentenário do francês São Vicente de Paulo.
Na mesma ocasião nasceram as Casas do Velhinhos do Rio de Janeiro e Brasília.
O enorme terreno foi um presente do deputado estadual Lino Morgante, homem de
posses na região e dono da Refinaria Paulista, segundo a irmã Helena, uma capixaba
contemporânea de Maria Luiza, que conhece como poucos a história do local, embora
esteja lá só há quatro anos. | |
| Moram nos sete prédios do lar da Cidade dos Velhinhos,
89 idosos que não estão desassistidos dos familiares, conforme explica a irmã
Bernadete, atual coordenadora da instituição. | | |
| Atualmente a entidade presta atendimento de fisioterapia
aos idosos da casa e do bairro. Só em 2006, segundo levantamentos da entidade,
foram atendidas 6.692 pessoas, números significantes para uma população que tem,
no bairro, um sistema de saúde pública precário. | | |
| | | Ame ou deixe-a |
| | A Rússia ocupa papel
importante no cenário político mundial, mas sua história de lutas e revoluções
está longe do conhecimento da maioria das pessoas. Tão longe que, na Cohab José
Bonifácio, três pessoas abordadas pela reportagem do NI fizeram pouco caso ao
fato de que há 38 anos, viveram por ali cidadãos russos que não aceitaram as ordens
impostas pelos mandatários ditadores do País. A responsabilidade pelo translado
dos refugiados para o Brasil, foi da Fundação Tolstoy de São Paulo, que ofereceu
à Cidade dos Velhinhos Santa Luiza de Marilac, a quantia de US$ 48.000 mil, paga
em três vezes, em troca da construção de um abrigo específico para os russos. |
| | O contrato lavrado
em 26 de abril de 1966, no 4º Registro de Títulos e Documentos, por Albina Frias
da Fundação Tolstoy, irmã Maria Luiza e o deputado Lino Morgante, exigia que os
refugiados, tivessem "mais de 60 anos, e 75% de sua capacidade total inválida
e atestada pelo médico". A primeira leva trouxe para cá 32 refugiados russos.
Calcula-se que no total foram mais de 600 que passaram pela Cidade dos Velhinhos,
a maioria vindos da Sibéria, principal rota de exílio. O serviço do Alto Comissariado
da ONU para refugiados continua ativo no Brasil. Entretanto, o maior contigente
enviado para São Paulo é de africanos, que estão na região central de São Paulo
e Pinheiros. | | |
A Cidade dos Velhinhos Santa Luiza de Marilac ao longo de sua existência sempre
teve a ajuda de pessoas ilustres da vida paulistana. Um dos benfeitores era o
ex-governador Mário Covas, que fez de tudo para o progresso da entidade. Com a
morte do político e da amiga pessoal Maria Luiza, a casa flerta com novos rumos,
sob a luz divina da irmã Bernadete Maria da Penha. | | |
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